Valor Econômico: ​ ​ ​Rio Bravo terá fundo de crédito para infraestrutura

 

 Na liderança dessa nova área, está Sergio Brandão, que cuidava dos investimentos em energia da gestora britânica Actis 

Por Ana Paula Ragazzi

A gestora de recursos Rio Bravo passará a atuar com crédito para o segmento de infraestrutura com o lançamento de um fundo de investimentos em direitos creditórios (FIDC). Nessa nova área, está, desde o fim do ano passado, Sergio Brandão, que de 2013 a 2019 liderou os investimentos em energia da gestora britânica Actis no Brasil. O fundo pretende levantar R$ 1 bilhão para investir em debêntures de infraestrutura. As operações serão estruturadas a quatro mãos entre as empresas emissoras e a Rio Bravo e depois encarteiradas pelo fundo.

De início, ele não deverá comprar operações de terceiros, embora futuramente possa atuar no mercado secundário desses papéis. O FIDC será distribuído via oferta pública (segundo a Instrução 400), com participação do varejo qualificado e será listado em bolsa. Recém-saído da Actis, Brandão estava em um período sabático quando teve a ideia de trabalhar com crédito estruturado para infraestrutura

. Compartilhou a ideia com Paulo Bilyk, sócio da Rio Bravo, que à época estava com o mesmo desejo e à procura de um nome para abraçar essa área na gestora. “Nossa expertise aqui sempre foi no setor imobiliário.

Se vamos atuar em outro segmento, estávamos certos de que precisávamos criar uma nova área dentro da empresa e isso deveria ficar a cargo de uma pessoa com experiência”, afirma Bilyk. Ele destaca que Brandão já atua com infraestrutura, enfrentou as dificuldades do segmento, que não são poucas e vão desde a regulação à execução. “São contratos grandes, complexos, com volumes e aspectos técnicos que não são os mesmos do que examinar um fluxo de pagamentos de aluguel, por exemplo. Há uma complexidade de risco bem maior”, diz. A ideia de ambos em atuar com crédito vem da interpretação do cenário atual, de juros baixos, em que novos ativos precisam ser criados para atrair investidores.

Além disso, há a janela aberta pela menor participação de bancos públicos subsidiando o crédito. Brandão chegou em dezembro à Rio Bravo e já formou a sua equipe, com ex-executivos de bancos que atuavam com crédito e profissionais de agências de risco. As emissões de debêntures de infraestrutura foram recorde em volume ano passado e, por serem papéis incentivados, com isenção de Imposto de Renda, atraem o investidor pessoa física. Brandão destaca que, se em vez de comprar o papel diretamente, esse investidor adquirir as cotas do fundo, vai se beneficiar do acompanhamento profissional.

“São projetos de longo prazo, em que muita coisa pode acontecer. Nosso fundo será gerido por profissionais que vão estruturar os papéis desde o momento zero e terão, por exemplo, poder de veto sobre grandes decisões”, afirma Brandão. O exemplo mais problemático do mercado é Rodovias do Tietê que, por ter 18 mil debenturistas pessoa física, não conseguiu reunir essas pessoas para atender os quóruns de negociação e acabou em recuperação judicial.

Via fundo, a empresa emissora também tem a vantagem de, em vez de tratar com milhares de debenturistas, lidar com um gestor que estará ao lado dela desde o início do investimento. Brandão destaca que sustentabilidade será pré-requisito para os projetos investidos.

A Rio Bravo irá se certificar que o emissor tem políticas sustentáveis atualizadas, que devem englobar compromissos com meio ambiente, leis trabalhistas, segurança do trabalho, mitigação de riscos de comunidades afetadas pelos projetos e também compliance. “Os emissores que levam a sustentabilidade em conta têm melhor qualidade, e os projetos serão melhor desenvolvidos afastando muitos dos riscos com multas e atrasos”, diz Brandão.

As debêntures de infraestrutura são dominadas hoje por operações de empresas do setor de energia, que concentra cerca de dois terços de todas as emissões.

A expectativa de Brandão é que o fundo inicialmente espelhe essa realidade, mas há uma aposta no crescimento do número de operações de outros setores, como os de rodovias e ferrovias.

Bilyk acrescenta que o fato de a Rio Bravo ter a Fosun como sócia abriu o contato da gestora com grandes grupos chineses, que deverão demonstrar interesse em financiar projetos de portos, pontes, estradas e energia aqui

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