Estadão: Dispensa de aval de sindicatos a acordos individuais traz ‘segurança jurídica’, dizem advogados

20.04.2020

A decisão do Supremo Tribunal Federal decidiu, desta sexta-feira, 17, que reconheceu validade imediata os acordos individuais entre patrões e empregados para reduzir a jornada e salários durante a pandemia do coronavírus, sem aval de sindicatos, trouxe ‘segurança jurídica’, afirmam advogados especialistas em Direito do Trabalho. Por sete votos a três, a Corte manteve a medida nos mesmos termos da proposta do governo federal.

Os ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello, além do presidente da Corte, Dias Toffoli, votaram por rejeitar o pedido de medida cautelar para suspender esse dispositivo da Medida Provisória 936. A solicitação havia sido feita pela Rede Sustentabilidade em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI).

Antonio Carlos Aguiar, especialista em Direito do Trabalho, entende que a decisão do STF “traz segurança jurídica” às relações trabalhistas em tempos de calamidade pública. “Não há conflito coletivo a ser resolvido, mas convergência na necessidade de alternativas para manutenção de ambos os envolvidos, a empresa na sua atividade e o empregado na sua dignidade de sobrevivência”, afirma o sócio do Peixoto & Cury Advogados.

Carlos Eduardo Dantas Costa, especialista em Direito do Trabalho e professor da FGV, diz que “a decisão deve fazer com que os acordos voltem a ganhar maior velocidade e volume, uma vez que as empresas tratarão diretamente com os empregados sem envolvimento dos sindicatos”.

Paula Corina Santone, advogada, afirma que “apesar de haver previsão expressa na Constituição Federal acerca da irredutibilidade de salários, salvo negociação coletiva e da obrigatoriedade de participação dos sindicatos nessa negociação, a maioria dos ministros entendeu que deve ser prestigiada a vontade das partes e privilegiada a negociação individual em situações excepcionais e de crise como esta que está sendo vivenciada a nível mundial”.

Segundo ela, prevaleceu o entendimento de que o caso concreto merecia um julgamento dentro da razoabilidade e da realidade imposta pela pandemia, já que a MP veio para preservar os empregos e a renda dos trabalhadores. “Buscou-se garantir a segurança jurídica e a validade dos acordos individuais, especialmente aqueles já celebrados desde a entrada em vigor da MP”, diz a sócia da área Trabalhista do Rayes & Fagundes Advogados.

Também o advogado Luis Fernando Riskalla considera que o julgamento do STF trouxe maior segurança jurídica aos empregadores “que se valeram ou ainda estão se valendo das opções contidas na MP 936/20. Isso garante a sobrevida de suas empresas e dos postos de trabalho, durante a crise e pandemia do Covid-19”.

Ele lembra que a MP 936 não afasta os sindicatos das medidas acordadas entre empregadores e empregados. “O legislador tomou o cuidado, sim, de desburocratizar, possibilitando acordos individuais entres empregados e empregadores, para aqueles trabalhadores que teriam menor perda com as medidas e para aqueles chamados hipersuficientes. A decisão do STF não só foi acertada, como trouxe segurança nesse momento de grande insegurança”, conclui o sócio do Leite, Tosto e Barros Advogados.

Leia na íntegra: https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/dispensa-de-aval-de-sindicatos-a-acordos-individuais-traz-seguranca-juridica-dizem-advogados/

 

 

 

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