Energia solar e armazenamento avançam

Fonte Valor 

Por Roberto Rockmann

Duas tecnologias que deverão ganhar destaque nas cidades brasileiras são a geração distribuída com painéis fotovoltaicos e o armazenamento, principalmente porque a presença de fontes intermitentes na matriz elétrica nacional será maior. A capacidade instalada em energia solar pode crescer mais de dez vezes nos próximos dez anos para 3 GW de potência, segundo projeções do governo.

O cenário tem levado redes de farmácias, educação, hospitais e agências bancárias a investir no setor, para reduzir a conta de energia. O movimento antes liderado por empresas do Nordeste já chega ao Nordeste. A Engie Soluções é uma das que está aumentando sua equipe na região de olho nos negócios.

Em cinco anos, o número de conexões no Brasil subiu de 23, em junho de 2013, para pouco mais de 30 mil, respondendo por cerca de 250 MWp. A Aneel estima que esse número poderá chegar a 700 mil pontos na metade da próxima década. No Brasil, a resolução número 482 da agência permite que o consumidor gere energia a partir de painéis fotovoltaicos e possa abater o que consumiu de sua conta mensal de luz. O consumidor ganha novo papel.

“Há uma tendência cada vez maior de empoderamento do consumidor no setor elétrico, que passa a ter um papel ativo no sistema podendo gerar também energia elétrica”, diz Karin Luchesi, vice-presidente de operações para mercado da CPFL Energia. “A chave do sucesso desse novo momento será a regulação, que tem de analisar todos os pontos”, diz Nelson Leite, presidente da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee).

Projeto de telhados solares conduzido pela CPFL Energia mostrou que as redes de distribuição demandarão investimentos no médio e longo prazo para apoiar a expansão da entrada de geração distribuída no sistema interligado. Isso poderá pressionar ainda mais a rede brasileira, defasada em alguns pontos. Um exemplo dos desafios está na Alemanha. Quando passou a ter 30% de sua matriz com microgeração distribuída solar, a complexidade da matriz do país europeu cresceu e a qualidade de energia distribuída caiu. No caso brasileiro, em que o sistema de transmissão escoa grandes blocos de energia em grandes distâncias, o desafio poderá ser maior com redes defasadas e a expansão da geração distribuída solar

Armazenamento é outra tendência em alta. Desde junho, a AES Tietê iniciou o maior projeto piloto no segmento, ao instalar na usina hidrelétrica de Bariri (SP) uma bateria de lítio para armazenamento de 200 kW de energia. “Há potencial grande no Brasil”, diz o presidente da empresa, Ítalo Freitas. A bateria ficará conectada ao gerador auxiliar, que trabalha com a iluminação da hidrelétrica e bombeamento de máquinas. O Operador Nacional do Sistema (ONS), que busca avaliar os impactos do sistema na rede básica, acompanhará o teste, cujo investimento está em R$ 2,5 milhões.

A tecnologia tem múltiplos usos e pode dar maior qualidade ao abastecimento para indústrias que têm necessidade de que as linhas operem sempre na mesma frequência e não sejam perturbadas com oscilações da rede.

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