Valor Econômico ‘Road show’ busca atrair investidores para cinco áreas

Por Daniel Rittner
O Ministério do Desenvolvimento Regional prepara “road shows” por Estados Unidos (setembro), Europa (outubro) e Ásia (novembro) para oferecer projetos em cinco áreas diferentes no Brasil: iluminação pública, saneamento, mobilidade urbana, segurança hídrica e agricultura irrigada. É a primeira vez que esse tipo de ação governamental no exterior, geralmente voltada à busca de investidores em energia e logística de transportes, diversifica tanto o cardápio de empreendimentos.
Resultado de uma fusão entre as antigas pastas da Cidade e da Integração Nacional, o ministério acaba de fechar suas contas do primeiro semestre: investiu R$ 4,62 bilhões até 30 de junho (desembolsos efetivos que incluem restos a pagar de exercícios anteriores). Com isso, ficou na frente da Infraestrutura ­sua maior “rival” na execução orçamentária -e liderou o volume de investimentos na Esplanada durante os seis primeiros meses do ano.
Os maiores desembolsos foram em habitação popular (R$ 2,54 bilhões), segurança hídrica (R$ 652 milhões) e ações de desenvolvimento regional e urbano (R$ 588 milhões). Estão no âmbito do ministério programas como o Minha Casa Minha Vida, a transposição do rio São Francisco, obras hídricas como o Ramal do Agreste e o Canal do Sertão Alagoano e, além disso, atividades como a gestão de carros-pipa, repasses a Estados e municípios para pavimentação, calçamento e drenagem urbana.
“Só no MCMV tivemos 234,1 mil unidades entregues e 153,9 mil novas contratações no primeiro semestre. O programa, ao contrário do que muitos pensam, não está parado”, disse o ministro Gustavo Canuto ao Valor.
Canuto demonstra alívio com a regularização dos pagamentos a fornecedores, prestadores de serviço e construtoras. Na virada do ano, as dívidas estavam próximas de 90 dias -limite que, se ultrapassado, pode ensejar a rescisão unilateral de contrato, conforme a Lei de Licitações. “Agora, não temos mais dívidas acima de 30 dias”, afirmou.
A situação do segundo semestre, no entanto, está “em compasso de espera” e depende da evolução das contas públicas. O ministério tem R$ 3,1 bilhões de orçamento contingenciado, mas livrou-se do último bloqueio. Até mesmo pela dificuldade financeira, a formatação de projetos com potencial de atrair recursos privados tornou-se prioridade. Na semana passada, Canuto apresentou uma prévia da carteira do “road show” ao Conselho Empresarial Brasil-China, no Rio.
Um dos pontos altos da oferta é a geração de energia solar às margens dos dois eixos da transposição do rio São Francisco. Os canais têm uma faixa de domínio onde podem ser instaladas placas fotovoltaicas. A ideia é aproveitar a existência de 270 quilômetros de linhas de transmissão construídas junto com o projeto. O funcionamento das nove estações de elevação das águas consumirá 746 mil megawatts-hora por ano. “Enquanto isso, o potencial de geração chega a 4 milhões de MWh/ano, ou cinco vezes mais do que a necessidade de energia para bombeamento”, compara Canuto.
Na área de mobilidade, o ministério pretende levar aos investidores estrangeiros a mensagem de que as estatais CBTU (que opera o transporte sobre trilhos em cinco capitais) e a Trensurb (região metropolitana de Porto Alegre) devem ser privatizadas. Busca também interessados em implantar VLTs em cidades grandes e médias. Um dos focos é Curitiba e o entorno da capital paranaense, onde se estuda o aproveitamento de linhas férreas de carga para veículos leves de passageiros.
Serão divulgados ainda dois projetos-piloto de esgotamento sanitário, em Volta Redonda (RJ) e Crato (CE), além de oportunidades na gestão de resíduos sólidos, com o caso de Bauru (SP). Os investidores estão de olho na tramitação do projeto de lei que reformula o marco regulatório do saneamento. Uma medida provisória sobre o assunto caducou no primeiro semestre. Até o fim deste mês, provavelmente, a Casa Civil mandará um novo texto para andar junto com a proposta em debate na Câmara dos Deputados.
Na carteira do “road show” também estão 22 parcerias público-privadas (PPPs) na área de iluminação pública municipal, a cargo de prefeituras. Finalmente, o ministro pretende mostrar aos estrangeiros o potencial de 36 perímetros para agricultura irrigada. “Alguns deles até já estão produzindo, mas com grande possibilidade de expansão”, afirma. Segundo ele, a FAO (braço das Nações Unidas) aponta que 80% dos alimentos consumidos no mundo em 2037 vão vir de irrigação. “Vale a pena investir na infraestrutura para isso. E o Brasil tem três enormes ativos: 14% da água doce do mundo, muita insolação e extensão agricultável”.

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