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Responsável pela maior arrecadação de impostos do país, setor sofre com um emaranhado de alíquotas que podem variar de acordo com a unidade da Federação. Simplificar, para especialistas, significa reduzir a sonegação e baratear o produto ao consumidor

 

Grande parte do valor dos combustíveis é composta por tributos, sendo eles os responsáveis pela maior arrecadação de impostos do país, com um acúmulo R$ 7,2 bilhões em passivo tributário. Apenas para o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal tributo estadual, são 27 regras diferentes, e o custo final dos produtos acaba não sendo competitivo no cenário internacional. A complexidade do sistema de tributação é considerada um dos fatores que leva à sonegação, à inadimplência e à concorrência desleal no setor.

O advogado tributarista sócio do Leite, Tosto e Barros Advogados, Carlos Henrique Crosara, considera que a prática de sonegar impostos vem justamente do excesso de tributos. “Uma maneira de combater a sonegação e reduzir o problema da guerra fiscal seria a unificação de alíquotas, pois em um mercado monopolistas, essa conta acaba sendo paga pelo consumidor”, afirmou.

Logo após a aprovação da PEC da Previdência na Câmara, a próxima pauta a avançar no Congresso deve ser da reforma tributária, e para debater a questão relacionada ao setor de combustíveis, o Correio realizará, nesta quarta-feira (21/8), o Correio Debate — Ética concorrencial e simplificação tributária. O evento reunirá especialistas e autoridades, no auditório do jornal, com objetivo de discutir o tema e apresentar sugestões para minimizar o problema.

O deputado federal Alexis Fontayne, que fará parte do painel Simplificação tributária: um caminho para reduzir a sonegação, acredita que um imposto que incida uma única vez seria a melhor alternativa para enfrentar as distorções. “No setor de combustíveis, é importante ter um imposto monofásico na fonte, na origem, pois na distribuição você tem fraudes e pessoas que vão comprando e partilham produtos sem declarar os impostos e que a receita não percebe.”, diz.

Prevenção

Fontayne acredita que esse modelo de tributação, já usado em outros produtos, é uma maneira de prevenir as falsificações causadas pela produção pulverizada e com alta carga tributária. “Se fizesse uma tributação na fonte, na refinaria e na usina, seria melhor, pois não teria mais nenhuma tributação e preveniria fraudes. Essa medida nasceu na distribuição de cerveja, a ideia funciona bem se você tem uma produção centralizada e concentrada, com poucos fabricantes e altos investimentos, é produto de consumo e tem distribuição muito alta, uma produção pulverizada com carga tributária muito alta estimula a fraude”, avalia.

Apesar de considerar essencial a implementação, o deputado teme que o modelo pode causar problemas no sistema tributário em geral. “Com as discussões da reforma tributária, eu não vejo nenhuma ação sendo feita por agora. O setor pede para que seja um tributo monofásico, mas isso pode gerar problema, pois você não gera crédito nas outras fases”, afirma.

Além de parlamentares, também já estão confirmados para o debate o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro João Otávio Noronha; César Mattos, secretário de Advocacia da Concorrência e Competitividade do Ministério da Economia; os secretários da Fazenda André Clemente, do Distrito Federal, e Cristiane Alkmin, de Goiás e o advogado-geral da União André Luiz Mendonça.

* Estagiários sob supervisão de Rozane Oliveira

Programação

Seminário sobre simplificação tributária em 21 de agosto no auditório do Correio

 

9h — Credenciamento e welcome coffee

 

9h30 — Abertura

» João Otávio de Noronha, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ)

10h — Painel 1: PLS 284: O devedor contumaz e os impactos da sonegação de impostos

» Cristiane Alkmin, secretária de Estado da Fazenda de Goiás

» Rodrigo Pacheco, senador

» César Mattos, secretário de Advocacia da Concorrência e Competitividade do Ministério da Economia

» Hugo Funaro, advogado tributarista

 

11h — Coffee break

 

11h30 — Painel 2: Simplificação Tributária: um caminho para reduzir a sonegação

» Alexis Fonteyne, deputado federal

» André Clemente, secretário da Fazenda, Planejamento, Orçamento e Gestão do DF

» Edson Vismona, presidente do ETCO

 

12h30 — Encerramento

» André Luiz Mendonça, advogado-geral da União (AGU)

 

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo site https://www.correiobraziliense.com.br/correiodebate/etica

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