Bom momento das elétricas impulsiona ações

 Fonte Valor

Por Camila Maia

 

As companhias de energia listadas na B3 acumulam alta de mais de 25% desde o início de outubro de 2018, mas há espaço para novas valorizações, ainda que as taxas de retorno estejam mais apertadas, avalia Maria Carolina Carneiro, analista do Credit Suisse, em entrevista ao Valor.

Desde 5 de outubro, antes do primeiro turno das eleições, o Índice de Energia Elétrica (IEE) da B3, composto por 20 empresas do setor, acumula alta de 27,66%, considerando o fechamento de sexta-feira. Para a especialista, grande parte da alta registrada até o momento reflete aquisições, perspectivas de privatizações e também a redução das taxas de juros (que deixa ainda mais atrativas as companhias de energia, tradicionais boas pagadoras de dividendos).

O cenário atual, contudo, ainda não incorporou totalmente o incremento na base de ativos regulatório das companhias, nem futuras aquisições e investimentos previstos em leilões. “Houve motivo para justificar a performance boa das elétricas, e ainda teremos mais leilões, mais vendas de ativos”, lembrou a analista.

A relação entre valor de mercado e Ebitda estava entre 6,5 vezes e 7 vezes para as empresas do setor no ano passado, e agora estão entre 7 vezes e 7,5 vezes, segundo a analista do Credit Suisse. Como o Ebitda das companhias também vai avançar, o múltiplo deve ser puxado para baixo, abrindo espaço para novas valorizações.

Considerando o múltiplo que compara valor de mercado com a base de ativos regulatórios (EV/RAB), muito utilizado para avaliar ativos do setor elétrico, o cenário é parecido. Como as companhias fizeram aquisições, a RAB também sobe, reduzindo o múltiplo mesmo com o incremento do valor de mercado.

Energisa e Equatorial são destaques nesse sentido. Ambas fizeram aquisições relevantes em 2018 e tiveram forte valorização desde então. Na semana passada, o Credit Suisse publicou relatório elevando o preço-alvo das units da Energisa para R$ 45,96, reiterando a recomendação de compra, refletindo as aquisições das distribuidoras Ceron (Rondônia) e Eletroacre, além de algumas novas linhas de transmissão arrematadas em leilões. No caso da Equatorial, o preço subiu para R$ 91,84, com recomendação de compra, devido às aquisições das distribuidoras Cepisa (Piauí), Ceal (Alagoas) e da transmissora Intesa.

“Hoje os retornos são mais apertados, mas ainda há espaço para novas altas”, disse Maria Carolina.

Segundo a analista, 2018 foi marcado pelos investimentos crescentes de várias elétricas em aquisições e novos investimentos. Engie, Taesa, Equatorial, Energisa e Cteep tiveram destaque em leilões, incrementando sua base de ativos -o que tem reflexo no preço. “O cenário continua pois o mercado espera um 2019 melhor, com inflação menor”, disse a analista.

No caso das companhias que atuam com distribuição de energia, a evolução do mercado está diretamente atrelada ao PIB, e o otimismo com o desempenho da economia neste ano também influencia esses papéis. O Credit Suisse trabalha com crescimento do PIB de 2,5% a 3% neste ano.

Outro motivo que impulsionou a alta foi a perspectiva de novas privatizações. “Há muitas estatais com gestão complicada, mas novos governadores têm declarado interesse em, no mínimo, avaliar a possibilidade de privatizar”, disse a analista.

As ações preferenciais da Cemig acumulavam alta de 60,46% até o fechamento de sexta-feira, quando atingiram R$ 13,88. As preferenciais classe B (PNB) da Eletrobras, por sua vez, subiram 57,85%, para R$ 35,69. No mesmo embalo seguiu a PNB da Copel, com ganho de 37,07%, a R$ 32,76 -ainda que o novo governo do Paraná tenha declarado que não pretende privatizar a elétric

 

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